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Para criadora do clone do Blog do Planalto, portais não facilitam uso dos dados pela sociedade

Haroldo Ceravolo Sereza e Lilian Ferreira
Do UOL Notícias e do UOL Tecnologia

O UOL pediu a Daniela Silva, organizadora do HackDay e uma das responsáveis pela criação do clone do Blog do Planalto, para fazer uma análise de portais governamentais.

Ela analisou as páginas principais dos portais do governo federal e dos governos estaduais de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Amazonas.

Para Daniela, eles têm um problema em comum: “Nenhum desses portais libera as suas informações em uma licença expressamente livre, uma das características que permitiu, por exemplo, a clonagem do Blog do Planalto”, diz. “Algumas pessoas defendem que o princípio constitucional da publicidade já permite que essas informações sejam ressignificadas pela sociedade, mas seria de grande avanço que esses portais expressassem claramente a vontade de verem esses conteúdos sendo remixados pelas pessoas”.

Mas essa não é único problema: eles também não liberam dados em formatos processáveis por máquinas, “formatos que podem ser usados por desenvolvedores para criarem “mashups” e novos aplicativos”. Isso permite que os dados sejam usados de modo a tornar, por exemplo, informações mais compreensíveis para um número maior de pessoas, por meio de gráficos ou mapas. Para Daniela, esse é um “passo importantíssimo” para “dados públicos possam ser considerados, de fato, públicos”.

Ela também questiona o fato de alguns portais, caso de São Paulo e Amazonas, trazerem fotos dos governadores, o que pode contrariar o princípio constitucional da impessoalidade da comunicação dos governos com o público.

“Até que ponto a publicação dessas fotos na rede é legítima? Ou até que ponto isso é problema, considerando a dinâmica da rede? Essas são questões que ainda estão longe de ter resposta, mas que certamente precisam ser revistas por todos nós - preferencialmente, numa reflexão coletiva, e com abertura pra novas formas de se entender os processos políticos”.

Também por conta do princípio da impessoalidade, há quem defenda “que o blog tem que ser ‘do Planalto’ e que o Lula não pode ter um Twitter”, diz. “Mas acontece que a internet é um meio altamente direcionado à personalização, por conta da possibilidade de cada pessoa se posicionar como um ‘falante’ do discurso público -inclusive os políticos. Então, será que o Lula não pode -ou melhor, será que ele não deve- ter um Twitter?”

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