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Qual a vida útil dos endereços eletrônicos nos sites governamentais ?

28, outubro, 2009

Após uma conversa bastante proveitosa com o colega Carlinhos Cecconi, do W3C Brasil (há alguns meses), decidi escrever este post sobre a vida útil  (persistência) dos endereços eletrônicos nos sites governamentais.

Qual o problema na prática ?

Apesar do poder público ser um grande provedor de conteúdos na web, notamos que fácilmente um mesmo conteúdo pode mudar de endereço com brevidade num curto espaço de tempo.

Como isto acontece ? De várias maneiras. Abaixo listarei algumas, seguido de alguns exemplos:

  • Exemplo 1: A tecnologia de gestão do conteúdo muda da ferramenta X para a ferramenta Y.
    • Os dados são migrados, mas as ferramentas tem estruturas de URL bastante distintas. Como exemplo prático, um sítio construído no CMS Plone se for migrado para o CMS Joomla terão URLs completamente distintas.
  • Exemplo 2: O titular da instituição responsável pelo site ABC é mudado, e este gestor determina que o site seja “reformulado”.
    • Normalmente as mudanças de gestores públicos são as maiores causadoras deste fenômeno. A cultura da “mudança pela mudança” é algo muito presente na classe política brasileira, e a web sofre diretamente as conseqüências disto.

Poderia ficar listando aqui diversos outras causas do problema de ausência de persistência nas URLs .gov, entretanto, após esclarecimento do problema, vamos em frente analisando alguns pontos de vista do mesmo.

Voltando no tempo, na época pré-web, nos conteúdos publicados nas mídias offline este problema simplesmente não existia. Com o passar dos tempos com a evolução dos cursos de biblioteconomia e ciência da informação, e considerando o aumento da publicação de conteúdos, técnicas de indexação e classificação das informações também foram se aprimorando. Ao visitarmos boas bibliotecas, independente do seu volume de publicações, não tarda para que uma publicação seja localizada graças a todas estas técnicas supracitadas. Entretanto, ao migrarmos para o mundo online, costumamos ter esta mesma facilidade ?

Antes que me questionem, as ferramentas de busca foram criadas para tentar resolver este problema da localização de informações. Outro recurso muito importante são as novas técnicas de indexação e classificação, como as tag clouds, que costumam agrupar diversos conteúdos correlatos num único clique, desde que estes conteúdos estejam “marcados por tags”.  Todavia, os recursos disponíveis na web atual, na nossa análise, não são suficientes para garantir vida útil à um conteúdo na web.

Para comprovar esta afirmação, faço um pequeno desafio:

  • Encontrem artigos sobre temas quaisquer de sua preferência. Dirijam-se a seção de referências e tentem abrir as URLs lá contidas.  Nesta hora é que o problema aparece.  Salvo exceções, a probabilidade destes links retornarem o famoso Erro 404 (página não encontrada) será muito grande.

Outra ótica desta questão tange na própria possibilidade de fácil alteração de um conteúdo web. Mesmo que a URL seja mantida, qual a garantia que um texto publicado num determinado período permaneça o mesmo por varios meses ? Como fica a questão da credibilidade das referências de um texto neste aspecto, se há uma grande possibilidade do documento referência ter seu endereço mudado ou ainda mesmo o seu próprio conteúdo alterado ?

Prováveis soluções para esta questão:

Controle de versões: Neste contexto, tenho observado que alguns sistemas de gestão de conteúdo em suas versões mais modernas estão agregando funcionalidades como “controle de versões” de textos e documentos.  Acredito que para certos tipos de textos, como documentos oficiais, a apresentação da versão do documento, data e responsável pela última alteração, bem como um recurso para visualização do “histórico” do texto é requisito fundamental para a garantia de sua credibilidade.

Assinatura e Certificação Digital: Apesar de se tratar de uma tecnologia “antiga”, ainda muito pouco difundida na população. Salvo aplicações específicas, do mundo corporativo, os sistemas e aplicações web ainda encontram-se extremamente longe de uma cultura de criação de documentos confiáveis na web (assinados digitalmente). Fatores como uma extensa e secular cultura do uso do papel, custo da certificação digital, bem como a fraca regulamentação para o direito autoral na internet contribuem para a não-disseminação desta tecnologia.

Mas o problema é mais embaixo …

Espaço em disco para armazenamento de dados: Sem dúvida este ainda é um grande empecilho para a popularização de textos “versionados” na web. Uma coisa é o custo e o esforço de processamento de armazenamento de 1 GB de dados. Outra coisa é o armazenamento e disponibilidade de 10 versões deste mesmo 1 GB de dados.

Taxonomia ainda é um termo distante para muitos: A utilização e disseminação de padrões de taxonomia na web poderiam ampliar considerávelmente a persistência dos hiperlinks na web. Em especial, na área governamental, uma melhor composição/criação das URL´s também ajuda muito neste contexto, como por exemplo, não utilizar URL´s contendo siglas de instituições ou outras expressões que costumam mudar ao longo do tempo. Aliás já discutimos este tema noutro post do blog, onde a adoção de expressões de “áreas temáticas” nas URL´s tem deixado os endereços eletrônicos mais imunes as freqüentes mudanças de organograma nas estruturas governamentais.

Enfim, o desafio está posto. A persistência na web é um tema de extrema relevância. No ano de 2009, certamente já teremos muitas dificuldades em encontrar conteúdos web publicados em 1999. Como será esta questão daqui a 50 anos ? Simplesmente teremos o histórico de uma geração sem registros ? Vale uma boa reflexão.

Até a próxima.

admin Mensagens Gerais , , , ,

Para criadora do clone do Blog do Planalto, portais não facilitam uso dos dados pela sociedade

3, outubro, 2009

Haroldo Ceravolo Sereza e Lilian Ferreira
Do UOL Notícias e do UOL Tecnologia

O UOL pediu a Daniela Silva, organizadora do HackDay e uma das responsáveis pela criação do clone do Blog do Planalto, para fazer uma análise de portais governamentais.

Ela analisou as páginas principais dos portais do governo federal e dos governos estaduais de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Amazonas.

Para Daniela, eles têm um problema em comum: “Nenhum desses portais libera as suas informações em uma licença expressamente livre, uma das características que permitiu, por exemplo, a clonagem do Blog do Planalto”, diz. “Algumas pessoas defendem que o princípio constitucional da publicidade já permite que essas informações sejam ressignificadas pela sociedade, mas seria de grande avanço que esses portais expressassem claramente a vontade de verem esses conteúdos sendo remixados pelas pessoas”.

Mas essa não é único problema: eles também não liberam dados em formatos processáveis por máquinas, “formatos que podem ser usados por desenvolvedores para criarem “mashups” e novos aplicativos”. Isso permite que os dados sejam usados de modo a tornar, por exemplo, informações mais compreensíveis para um número maior de pessoas, por meio de gráficos ou mapas. Para Daniela, esse é um “passo importantíssimo” para “dados públicos possam ser considerados, de fato, públicos”.

Ela também questiona o fato de alguns portais, caso de São Paulo e Amazonas, trazerem fotos dos governadores, o que pode contrariar o princípio constitucional da impessoalidade da comunicação dos governos com o público.

“Até que ponto a publicação dessas fotos na rede é legítima? Ou até que ponto isso é problema, considerando a dinâmica da rede? Essas são questões que ainda estão longe de ter resposta, mas que certamente precisam ser revistas por todos nós - preferencialmente, numa reflexão coletiva, e com abertura pra novas formas de se entender os processos políticos”.

Também por conta do princípio da impessoalidade, há quem defenda “que o blog tem que ser ‘do Planalto’ e que o Lula não pode ter um Twitter”, diz. “Mas acontece que a internet é um meio altamente direcionado à personalização, por conta da possibilidade de cada pessoa se posicionar como um ‘falante’ do discurso público -inclusive os políticos. Então, será que o Lula não pode -ou melhor, será que ele não deve- ter um Twitter?”

admin Análises , , , , , , ,

Bem vindos

16, dezembro, 2008

Olá amigos,

Todo cidadão brasileiro, que paga uma das maiores cargas tributárias do mundo, deseja ter um bom serviço público. Apesar da ineficiência generalizada do Estado, várias iniciativas de melhoria dos serviços públicos já foram publicadas na web, algumas delas, com baixissima divulgação.

Nossa proposta é criar um espaço de divulgação de iniciativas de relacionamento Governo-Sociedade na internet, baseado nos sites públicos, bem como analisar as boas práticas e sites que deveriam ser melhorados. Analisaremos sites de Governo, Secretarias de Estado, Autarquias, Fundações, Empresas Públicas, Prefeituras, Instituições do Judiciário, Cortes de Contas, Ministério Público, dentre outros.

Queremos o Poder Público brasileiro mais presente na Web, assim como em países como o Canadá e a minuscula ilha de Cingapura, uma das maiores referências neste assunto no mundo.

Contamos com vocês para uma ampla participação em nosso blog. Um abraço.

Thiago Ávila - Editor do Blog.

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